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Cecília sempre chorava antes dos testes da escola. Tinha medo de decepcionar os pais. Tão dedicada, pobre Cecília. Estudava mais do que qualquer criança da idade dela. Estudava mais do que qualquer um, aliás. Tirava A+ em todos os testes, e ainda assim chorava antes. Era como um ritual. Estudava, estudava e na noite que antecedia a manhã do teste a menina chorava. Os pais a levaram ao psicólogo, que não diagnosticou nada além de excesso de preocupação. Cecília sempre exigiu demais de si mesma. E nunca fez isso com ninguém. Conforme foi crescendo e conhecendo o mundo, foi deixando de chorar antes dos testes. Foi para o secundário, chorou duas vezes, que se lembre. Continuou com seus positivos e preocuapações, mas deixou de chorar. Foi no vestibular que ela voltou a chorar. A situação exigia… Chorou pouco, e tomou um trago comemorativo. Daí em diante, chorava por tudo, menos pelos testes.

Ontem ela me ligou. Chorando. E disse: preciso fazer um teste. Pensei, ora bolas, menina, mas teste? Já é uma “mulher feita”, pra que? Ela contextualizou.
Ah, Cecília. Chora menina, chora e pega na minha mão, que é tua e só tua. Cecília fez um teste, seu primeiro resultado negativo. Feliz. Fez o segundo. Segundo resultado negativo. Feliz.
Cecília ligou de novo. Andava tonta e febril. Amanhã fará um novo teste. Precisa de uma mão. Chora, chora menina… chora pela nota vermelha que virá. Chora pelo negativo mais positivo da sua vida.

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