Categorias
Sem categoria

Olavo ficou desconcertado. Poucas vezes se viram para exigir que os olhos se cumprimentassem, mas achava que os poemas trocados já eram o bastante para que as expectativas de acertos não-verbais fossem alcançadas. Olavo estava assustado, suspenso entre a conversa entorpe da namorada barulhenta com as amigas e o olhar gentil da moça que lhe contava fatos em rimas. Olavo não conseguia, o cheiro dela o alucinara mais do que qualquer droga. Lhe faltou o ar quando viu à mostra uma renda do sutiã escapando pela blusa. Não teve para onde olhar, é moço sério, decidido quanto aos sentimentos, vai casar no início do próximo outono e a namorada usará um buquê de flores secas. Não teve para onde olhar. Julgou-se. Apertou os dentes. Sorriu nervoso. Dois beijos de bochecha. Um “adeusinho” com os dedos dançando na mão. A moça saiu do bar e logo a namorada enganchou-se no pescoço dele e contou o que fariam no próxima final de semana.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s