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em crise de permanência

Permanência: ilusão exigida. Impasse entre a alienação – de se crer sempre o mesmo – e a insanidade – de se crer outro a cada instante. Daí a tristeza: “é fácil ver que ela nasce da opinião (sobre si) e do erro que ela provém”. Dentre as tristezas, a melancolia. Eliminação radical da alegria. Tristeza pelo corpo inteiro.
Uma nova representação de si exclui dolorosamente a anterior. Porta aberta para o suicídio: nossa imaginação nos reveste de uma contradição interna. Tentativa alienada de autopreservação, matar o novo para proteger a ilusão da permanência, eliminação de um invasor numa guerra identitária, um ato de legítima defesa. Desencontro dramático consigo mesmo.
Sem essa crença na permanência também estariam comprometidas as relações. A fugacidade radical condenaria o interlocutor à incerteza, à absoluta ausência de referênciais. Falta de chão. A impossibilidade de prever tornaria vãs as expectativas. A redução aparente da contingência do outro, ilusória mas securitária, coloca sob os holofotes o mais habitual, garantindo, assim, aos que se relacionam alguma existência, como, por exemplo, enquanto um objeto de posse: meu marido, meu pai, minha professora, meu amor, etc.

Comunicação do Eu – Ética e Solidão.

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