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Querido Diário III

Voltei de Porto Alegre com saudade de casa. Sim, foram apenas cinco dias, mas senti saudade. Não saudade da rotina de acordar/comer/trabalhar, mas saudade das pessoas e das facilidades de se viver na província. Eu nunca havia percebido como é difícil estar na capital sem um carro, de como ir de um amigo a outro pode fazer a gente perder tanto tempo, de como as pessoas são mais barulhentas, de como as palomitas são mais feias, de como estar sozinha sem um mp3 pode fazer a gente ficar mais triste. Sabe? É linda e tem um monte de coisas pra fazer. Andarilhei quilômetros entre a Bienal, a Feira do Livro, o mercado, os cafés. Conheci gente bacana. Revi e bebi e ri com um monte de amigos daqueles especialíssimos. Comprei livros. MUiTÍSSIMOS e LINDOS! Andei de mãos dadas e troquei beijo adolescente na porta do ônibus. Crescer deve ser isto: momentos que se vão entre os dedos sem que a gente tenha a menor vontade de agarrar. Estar por estar. É triste, mas é adulto. Galerias sujas. Hotel sem telefone e sabonete. Passeata Gay atravessando a Osvaldo Aranha. Ouvir milhares de palestras com tradução simultânea e rir sozinha daquilo tudo. A PUC é tri. Fiquei preocupada com a geração que se forma na FACOS. Aliás, fico preocupada que a minha faculdadezinha querida vire um imenso dum ANAL formador de pesquisadores de coisas que não-servem-para-nada. Pensei nesse monte de coisas e comi pipoca doce lendo um livro sentadita na praça da Alfândega. Conversei com um escritor de livros eróticos, li um trecho e disse pra ele que a linguagem era juvenil demais. Enrolei um promotor de perfumes por quase 40 minutos – eu precisava matar tempo e ele precisava vendar. Peguei o mesmo táxi três vezes, sem combinar nada com o taxista, na última ganhei desconto pela coincidência. Fiquei longe do computador quase todo o tempo. Não trabalhei. O Gabriel Pensador foi no mesmo PUB que a gente, a diferença é que ele pagou, eu não. O café do terraço do MARGS fechou e o da Casa de Cultura Mário Quintana está em reformas. Me cansei e senti muito prazer. Mas queria voltar antes que o domingo acabasse. Acho que sempre vou querer voltar. Isso me faz sentir bem.

– – –

Agora só falta reencontrar os meus bonitos daqui. Distribuir abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim, enquanto há tempo.

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E de algum lugar distante, deveria ter recebido alguma coisa que não recebi. Lamento a falta de certa camisa, certo livro e certo gesto. Que se há de fazer, no próximo inverno eles não servirão mais, espero.

– – –

nhu.

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