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dor de barriga

Quando pensei em trabalhar em Buenos Aires senti a mesma dor de barriga de quando falei no telefone pra um chefe desconhecido: terça estarei aí. Talvez naquela vez eu tenha me precipitado. Fui sem pensar direito, só sabia que precisava ir. Fui e voltei. Voltei porque precisava, aqui em Santa Maria estavam as minhas coisas felizes, não lá, naquele Passo Fundo feio. Também, olha no nome do lugar: Passo Fundo. Buenos Aires não, olha o nome de Buenos Aires. Bons Ares, né? Não pode ser ruim. Mas a dor de barriga foi a mesma, a insônia também. Diferentes são os planos. Agora é ir como quem espera nada. Ir de passagem, não de pra sempre. Pra sempre é aqui, nesse meu mundo colorido que sempre vai ser o mesmo. Aqui as coisas tendem a estacionar. Santa Maria não vai estourar. Santa Maria já é o que tem de ser. A província do agitinho cultural, das pessoas cults, dos bares criativos, da livraria dos estudantes, do cineclube nas quartas, do DCE nas sextas, da casa dos pais, do carinho dos irmãos, das paredes verdes e objetos coloridos. É um lugar que eu vou voltar sempre, nem que seja só pra ficar olhando o Ipê amarelo da frente de casa.

Buenos Aires, voylá, com dor de barriga e vontade de dominar o mundo. Bom mesmo é ter onde deixar guardado todo o resto, feito relicário. Gavetinha de quase 22 anos de definições.

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