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Piração

Às vezes penso que eu sou louca.

Algumas vezes me pego em umas viagens que não teria mesmo sob efeito de ácido ou ervas que fazem o teu cérebro derreter todo e tu vomitar pensando que vai morrer. Explicando, na contracapa da Zero Hora de hoje tem duas imagens aéreas da praia de Torres, uma de 1978 e outra deste ano. Fiquei com tanto nojo da gente quando vi o crescimento astronômico do lugar que me deu um enjôo. A cidade foi crescendo como uma pereba que tu coças. Aí me vi do alto vendo a pereba toda crescer e todas as mini-perebas-cidades se encontrando e os seres humanos como parasitas na ferida putrefando qualquer espaço livre. Tipo bicho em carne morta. Tipo verme em defunto. Até que seque tudo. Até que as cidades virem casquinhas e caiam.

Todas as vezes que eu vejo as coisas de cima, que eu me elevo, que a minha dimensão é outra eu penso que sou louca. Queria saber se é normal dar-se conta de que tudo é tão pequeno e insignificante. E daí o emprego? E daí a cor do cabelo? E daí aqui ou lá? Eu não queria ter esses pensamentos generalizantes. Os detalhes te amarram. Preciso de mais detalhes. Mais detalhes. Mais detalhes. Mas aí, sempre que vou chegar nos detalhes é como se fosse através de uma micro-câmera que vai invadindo visceralmente tudo o que pode ser invadido e empaca em uma ligação perfeita de aminoácidos e dali não saio.

Viram? Louca.

2 respostas em “Piração”

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