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menino de alma leve, voando sobre o pelego

“encontraram o corpo”. mas eu não quero o corpo. eu quero ele fazendo xixi no portão da minha casa. quero no sábado de manhã vindo buscar os engradados vazios para trocar por cheios e a gente ir acampar. quero ele no sábado de noite, com chuva, pra tomar o vinho de colônia ruim quase virado em vinagre cada vez que eu perdesse no pife. quero ele acendendo cigarro no DCE, me ensinando a focar e desfocar a câmera na feira do livro de 2004. quero ele me chamando de mãe e esfregando o nariz na minha testa. quero ver os braços abertos. o sorriso debochado. a atenção com meus dramas de ir e vir. quero ele no meu primeiro xis em uma das voltas pra santa maria. não quero mais as assinaturas guardadas nos rótulos de cerveja, eu quero outra vez as cervejas e os brindes com TODOS os amigos juntos. eu não quero um corpo afogado. eu não aceito uma morte besta. eu não quero dar tchau pra alguém que eu quero encontrar no ponto de cinema numa terça de noite, emocionado com os gols do inter, gritando e gesticulando e limpando os óculos na camisa. eu quero tomar chimarrão no rio de janeiro vestindo bombachas. eu quero que o telefone toque me perguantando qual é a boa. eu quero que o msn pisque debochando da minha cara. quero saber as notícias antes. quero ver outra vez o documentário. eu quero brigar com ele porque faz a minha amiga sofrer. eu quero chamar ele de sem-vergonha. quero dar os cascudos de brincadeira. quero que ele me ensine como pintar as paredes com tinta acrílica. quero que me ensine a montar a ilha de edição. quero que ele peça as pizzas e dirija o carro. quero que mande uma mensagem dizendo que outra vez perdeu o celular e troucou de número. quero abrir o jornal e ler as matérias assinadas por ele. quero que meu pai diga: um amigo teu caiu numa valeta em uma cavalgada que a gente acompanhou de caminhão. eu quero rir disso e guardar a foto do jornal com aquela risada disfarçada. eu quero que me peça a bênção. eu quero dizer a ele que faça o milagre da multiplicação do feriado. quero dizer pra ele que a música que ele escolheu pra formatura era horrível. quero que ele deboche da minha lista de chá de panela. quero que ele vá nos meus aniversários. quero o abraço apertado e o “como que tá, guria?”, seguido do “mãe, tu não pode sumir assim”. tu é que não pode sumir assim. não pode. não gosto. não quero.

4 respostas em “menino de alma leve, voando sobre o pelego”

Ai amiga, ele é um tremendo calhorda, que nos pregou uma baita peça…Como viver sem ele brincando com nossa orelha….mas por essas coisas tão bonitas e pequenas que descreveste é que ele está em nós, e viverá sempre nos nossos brindes, nas nossas gargalhadas, nas nossas histórias…Um filho da ….que amamos tantos….Beijos..e vamos estar juntos hoje e muitas vezes mais, por que é isso que ele quer….

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Eu também quero tudo isso, Carla.Ah, como eu queria ser o super-homem e dar a volta no planeta, em velocidade supersônica, e fazer o tempo voltar. E aí eu diria pra ele ficar, pra não ir pra Uruguaiana, diria pra não morrer…O tempo passa e a dor fica.Lindo o teu post, querida!Só qeria que se referisse a outra pessoa.Dói tanto…Beijinhos

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