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mansidão

às vezes estranho coisas que não disse. geralmente acontece aos domingos, perto das cinco da tarde. lembro da surpresa de ver pela primeira vez o quarto alinhado, tenho um sentimento puro e bom, quero estar ali e nada mais. vejo o sol desenhado em quadradinhos no chão de parquet descasdado, acompanho o pé direito que é alto até a lâmpada semipendente, pela primeira vez, desligada. a veneziana semi aberta me direciona a lugar nenhum, talvez para a parede do quintal onde criavam os ratos, ou para algum resto de céu azul iluminado, com poucas núvens. são aproximadamente cinco da tarde, frio de julho da santa maria, o velho casaco de veludo cotelê marrom se confunde com os cobertores sujos. as portas cinzas, embaraçosamente abertas, desviam minha atenção, que, naquela tarde, não queria se importar com nada além das quatro mãos e das duas bocas sorridentes. mas as portas abertas e o vento do corredor a desviam e, logo, o desprezo toma o lugar da fantasia, o mesmo cheiro cinza e o mesmo vazio. ele, eu e nada. volto a ficar sozinha.
às vezes estranho coisas que não disse naquela tarde, me encolho, aceito a condição e volto a trabalhar.

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