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amanhecendo

acordei meio assustada, seis e meia. o celular com uma chamada-não-identificada e três mensagens vazias. fui ao banheiro e ouvi um barulho que mais parecia um machado golpeando a porta de uma cabana no meio da floresta. voltei pro quarto, verifiquei se não havia nenhum monstro embaixo da cama. tou com medo de olhar o armário. não sei. sensação rara. ainda bem que já vou pra casa onde os anjinhos me protegem.

chegou a nova rooommmate.
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antecedentes penales, o retorno.

Se você já leu isto, pode seguir. Se não leu, tinha que ler antes de seguir. Também se não quiser, não precisa. Mas é claro que aquilo não terminou ali (aquilo que deve ser lido antes disto), aconteceu o seguinte:

carla, saltitante, na fila de 30 minutos do tabelionato:
– Oi! Reconhecer a firma de MMX!
– Claro, vamos ver… – humnm… desculpe, mas a assinatura dele não coincide com a deste documento.
– COMO ASSIM?
– é bastante antiga, preciso que ele venha até aqui.
– (cai uma lágrima do rosto da carla).
_
– Oi, o MMX tá aí?
– Que foi?
– Preciso que ele vá comigo ao tabelionato porque a firma dele tá vencida…
– Ih… numa sexta?
– (lágrima)
– Sobe as escadas, no final do corredor, esquerda, direita, esquerda, ele vai estar lá.
_
– Oi, licença.
– Que foi?
– É que assim… a tua firma já está mto antiga, precisava que você fosse comigo até o tabelionato pra atualizar ela e reconhecer este documento.
(resmunga, resmunga, me manda descer e esperar uns minutos).
_
(aparece, com cabelo lambido)
– Vamos!
– Ê!
(caminhamos pelo centro da cidade, num calor, conversando, conversando, quase paramos pra comprar um sorvete, simpático o MMX)
_
(no tabelionato, 20 minutos de fila)
– Tu não vai acreditar, esqueci da identidade!
(lágrima)
(ele vai buscar e eu fico esperando, mais 30 minutos)
(volta, reconhecemos a firma, voltamos pro emprego dele e ganho um início de trâmites pra identidade fora do expediente!! – BINGO!)
2 MESES DEPOIS, EM BUENOS AIRES:
(antes disso os documentos foram carimbados em porto alegre, brasília e floripa)
– Todo correcto, señorita… excepto el atestado de antecedentes penales de su país…
– NOOO!! QUÉÉ?!
(lágrima)
– Es que este papel no fué emitido por un órgano público federal, pero regional. no sirve. no tenemos como saber di ud no cometió un crimen en Amazonia.
(lágrima).
_
por telefone, com a embaixada:
– Oi, quais os horários de funcionamento pra emissão de antecedentes penales?
– todos os dias, de 9h até as 15h.
– Obrigada
_
14h, na embaixada, numa sexta:
– Hola, para los antecedentes penales?
(risa)
(risa)
– Niña, a esta hora ya no encontras a nadie acá…
– Pero acabo de llamar y me dijeron…
– NO!
_
8:55, na embaixada, numa quarta:
– Hola, por los antecedentes penales?
– De 9:30 – 11:30, 15h-17h.
– Ok.
– Vuelves más tarde?
– No, espero acá.
_
9:30, na embaixada, mesma quarta, depois de limpar a bolsa, comer um pirulito e ser trovada pelo guarda:
– Es que a veces vienen más tarde…
– No importa, voy esperar.
_
10:20, na embaixada, passa uma mulher cheia de sacolas, falando portugués:
(o guarda sussura)
– En 3 minutos puedes subir, es ella!
_
(o gabinete mais lindo do mundo, 2 empregados, a mulher)
– Posso te ajudar?
– Sim, preciso do atestado de antecetendes criminais!
– Tu pegou na internet?
– NÃO!!! Me disseram que não serve…
– Serve sim, tu tem que imprimir e trazer aqui que a gente assina.
(havia uma impressora lazer brilhando em cima da mesa dela)
– A Senhora não faria a gentileza de emitir pra mim? Preciso bastante, mesmo.
– Vou tentar!
– Obrigada!
– Pronto!
– Obrigada!
– Não há de que.
– É só isso mesmo? Não precisa outros carimbos?!
– Não, é só isso.
_
migraciones, buenos aires, 7h da manhã, quarta, fila de bolivianos, uma mulher vomita quase nos meus pés. 1h de fila.
– Passaporte.
– aqui…
– Cópia del pasaporte.
– aqui…
– fotos
– aqui…
– antecedentes penales en argentina
– aqui….
– cópia delos antecedentes penales.
– aqui…
– antecedentes penales de brasil.
– aqui…
(olha, olha, resmunga, levanta, chama a outra, saem da sala)
– esto no vale.
– CÓMO NO VALE?!
– no, no esta apostillado por su país.
– CÓMO NO ESTA APOSTILLADO?
– no, no está, pero es sólo lo que te falta, el resto esta ok. vuelva a marcar turno.
(llorando) – es que voy a brasil en unos dias, entonces como saldré del país tendré que emitir los penales de argentina otra vez?
– si si, e sacar fotocopias del pasaporte y legalizar también.
aí me diz, que que eu faço?
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previsões


tá vendo aquele cara lá? vai ficar com ele. e ele vai te destruir.

imediatamente depois de vê-lo pela primeira vez teve certeza de que a aproximação seria inevitável. também que depois da aproximação o melhor seria manter-se distante da melhor-amizade e do amor platônico. um dia aprendeu que as coisas destroem mais quanto menos esclarecidas são antes de virem a ser. difícil isso de chegar pertinho sem motivo pra ficar. ponto. tranquilize-se: o destino vai contribuir pra que tu te arrebentes toda, sempre. ponto. cadeiras vazias aproximam os solitários. os cigarros também. amigos: sabemos que não. que não. que não. que artistas não são pro bico dela. mas que sempre se mete com eles. com esses sinceros. sensíveis. grandes. barbudos. sabichões. é. sabe. se mete. se fode. cadeiras vazias. um comentário absurdo. um minuto de atenção. um relato intimo (vale qualquer coisa, inclusive: “este ano tive uma verruga embaixo do dedo mínimo do pé e matei ela com ácido”) para arrancar uma risadona. um sorrisinho safado. é assim que ela começa. de dupla. de saber-se diferente – totalmente oposta – e mesmo assim se meter lá no fundo do estranho. escuta: tu vai se perder no momento da aproximação. vai sim. tu sabe.

ps.: mas, se ele já te chamou de negrita, nenita e admirou o jeito engraçadinho que tu arruma o cigarro. esquece. como diria meu irmão nos anos 90: bailou.

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as terças e as sextas

são os dias que não tenho nada obrigatório pra fazer. sim. tenho os textos. deveria ler uns trinta-e-nove artigos por hora pra ver se recupero a cultura que ficou anotada nos rótulos das cervejas que bebemos pra comemorar a vida. mas não consigo. hoje comecei com o meu amigo ari – o stóteles – e logo estava com as pernas verticalmente contra a gravidade comendo maçã – argentina – e lendo o utilitarismo, do stuart mill. me aborreci bastante. fui tomar um banho no banheiro com banheira-que-não-se-usa enquanto ouvia los hermanos. o tempo está meio murrinha hoje. de todas as maneiras, sequei os cabelos com secador de cabelos, cumprimentei o roommiiee querido e conversamos sobre algo do construtivismo enquanto ele analisava a linha do tempo que construí nas paredes do meu quarto pesquisando sobre a bauhaus e percebia que o post-it da bauhaus tinha caído. então me despedi e saí com os livros pendurados, o cachecól em uma mão, a caneta marca textos na boca e uma sacola de roupas sujas que fez o favor de cair no elevador. desci pelo elevador do mal – o da esquerda vai de leve, esse da direita é apressado, apita e estaciona de soco. conversei com o porteiro – que agora sabe a minha origem e cada dia vem com uma palavra nova. a china da lavanderia já sabe meu nome e que prefiro as roupas sem perfume. tá. aí fui pra uma cafeteria que tem na esquina de casa. dels. vi o garçom latino mais lindo do bairro. tomei leite com chá e comi tostadas com cream-queso, mientras lia mais um pouco do utilitarismo do mill e observava por cima dos óculos a ginga do garçom. escureceu. pedi a conta. deixei a gorjeta. ele até sorriu. deixei cinco pesos. ciiinco! ok. aí fui no banco porque amanhã é dia de pagar o aluguel. aí, no caminho pensei que aqui em buenos aires, se tu tá meio aburrida, é só sair na ruas e pensar que é figurante de algum filme argentino. o teu cabelo fica bagunçado e a franja sempre entra dentro dos óculos. tu sempre perdes o cachecól. os livros caem e tu sai toda retardada correndo atrás das folhas que ficam voando. os vizinhos mais lindos levam os cachorros pra passear. as senhoras discutem com os porteiros. os motoristas respeitam o sinal – isso nos dias que eu quero ver o mundo bonito, claro.

🙂
tá acabando a terça, vou no cinema com uma colega. amanhã é dia de aula de ética, com aquele professor simphatsicow! beijos,
_
esqueci de contar que no banco, ou melhor, fora do banco – é que aqui entra um por vez no caixa eletrônico – tinha um pai com dois filhos, um de dois anos e outro de quatro, creo. o de quatro queria saber porque ele precisava sacar dinheiro e o pai explicou que tinha de pagar o estacionamento. o filho então disse: mas porque tu tem que pagar se é teu? o pai explicou que não era dele, que ele apenas alugava o local para guardar o carro. o filho então entendeu que o pai não era o dono de todos os carros, ou melhor, entendeu por que todos os dias saía de casa com o mesmo carro. uns trinta segundos depois o disse: mas em fevereiro tu paga mais barato, né? o pai pensou… o filho disse: sim, fevereiro é um mês com menos dias, tu tem que guardar o carro menos vezes. e disse mais: é muito caro para guardar as coisas. tinha que ser sempre fevereiro pra gente economizar.
aí eu pensei que o capitalismo não tem volta.
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compreensão

alma tão amorosa. pessoa tão boa e importante. missões de ajudar os menos favorecidos e superar os tombos que eles te dão. isso me disse um preto velho, uma vez que fui e não desmaiei. que sou médium. que sou foda.

não sou. eu deveria ter paciência (mais), pois paciência é uma virtude. mas eu não gosto. eu não me sinto bem. eu tenho asco. eu tenho medo. eu tenho pena. me irrita. me irrita profundamente. quero que vá embora. não quero ir embora. eu gosto dos outros. paciência. tenha paciência, diz o outro. paciência o caralho. porque eu tenho que ter paciência? eu não sou a paranóica. eu não sou a esquizofrênica. eu nunca fui narcodependente. a minha família me ama. eu tenho amigos excelentes. eu tenho um currículo bonito. eu só fico sozinha se quiser ficar. eu só não faço as tarefas se não quiser fazer. eu improviso. eu cavoco namoradinhos. eu pinto com tinta acrílica. eu só tenho que me preocupar com a grana pra hoje e com as atividades do futuro. tenho que sentir saudade dos meus, ligar pra casa, tomar os remédios, não beber cerveja e estudar.
eu preciso mesmo ficar aqui e ser boa pessoa?
é por isso que o preto velho disse que no dia 5 eu entraria em uma casa onde pensaria muito amor? estou sendo egoísta?