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as terças e as sextas

são os dias que não tenho nada obrigatório pra fazer. sim. tenho os textos. deveria ler uns trinta-e-nove artigos por hora pra ver se recupero a cultura que ficou anotada nos rótulos das cervejas que bebemos pra comemorar a vida. mas não consigo. hoje comecei com o meu amigo ari – o stóteles – e logo estava com as pernas verticalmente contra a gravidade comendo maçã – argentina – e lendo o utilitarismo, do stuart mill. me aborreci bastante. fui tomar um banho no banheiro com banheira-que-não-se-usa enquanto ouvia los hermanos. o tempo está meio murrinha hoje. de todas as maneiras, sequei os cabelos com secador de cabelos, cumprimentei o roommiiee querido e conversamos sobre algo do construtivismo enquanto ele analisava a linha do tempo que construí nas paredes do meu quarto pesquisando sobre a bauhaus e percebia que o post-it da bauhaus tinha caído. então me despedi e saí com os livros pendurados, o cachecól em uma mão, a caneta marca textos na boca e uma sacola de roupas sujas que fez o favor de cair no elevador. desci pelo elevador do mal – o da esquerda vai de leve, esse da direita é apressado, apita e estaciona de soco. conversei com o porteiro – que agora sabe a minha origem e cada dia vem com uma palavra nova. a china da lavanderia já sabe meu nome e que prefiro as roupas sem perfume. tá. aí fui pra uma cafeteria que tem na esquina de casa. dels. vi o garçom latino mais lindo do bairro. tomei leite com chá e comi tostadas com cream-queso, mientras lia mais um pouco do utilitarismo do mill e observava por cima dos óculos a ginga do garçom. escureceu. pedi a conta. deixei a gorjeta. ele até sorriu. deixei cinco pesos. ciiinco! ok. aí fui no banco porque amanhã é dia de pagar o aluguel. aí, no caminho pensei que aqui em buenos aires, se tu tá meio aburrida, é só sair na ruas e pensar que é figurante de algum filme argentino. o teu cabelo fica bagunçado e a franja sempre entra dentro dos óculos. tu sempre perdes o cachecól. os livros caem e tu sai toda retardada correndo atrás das folhas que ficam voando. os vizinhos mais lindos levam os cachorros pra passear. as senhoras discutem com os porteiros. os motoristas respeitam o sinal – isso nos dias que eu quero ver o mundo bonito, claro.

🙂
tá acabando a terça, vou no cinema com uma colega. amanhã é dia de aula de ética, com aquele professor simphatsicow! beijos,
_
esqueci de contar que no banco, ou melhor, fora do banco – é que aqui entra um por vez no caixa eletrônico – tinha um pai com dois filhos, um de dois anos e outro de quatro, creo. o de quatro queria saber porque ele precisava sacar dinheiro e o pai explicou que tinha de pagar o estacionamento. o filho então disse: mas porque tu tem que pagar se é teu? o pai explicou que não era dele, que ele apenas alugava o local para guardar o carro. o filho então entendeu que o pai não era o dono de todos os carros, ou melhor, entendeu por que todos os dias saía de casa com o mesmo carro. uns trinta segundos depois o disse: mas em fevereiro tu paga mais barato, né? o pai pensou… o filho disse: sim, fevereiro é um mês com menos dias, tu tem que guardar o carro menos vezes. e disse mais: é muito caro para guardar as coisas. tinha que ser sempre fevereiro pra gente economizar.
aí eu pensei que o capitalismo não tem volta.

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