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rotina de amanhã

levanta cedo e vai trabalhar, mas antes viaja num ônibus lotado por 50 minutos (lotado mas querido, o 29 do meu coração: quem me segue no twitter sabe como sou feliz no 29 com seus argentinos cheirosos e de terno e mochilas), mas antes de viajar pra trabalhar tem que lavar a roupa e deixar o quarto organizado, persianas abertas, xícara do café limpa e pijama dobrado. não pode esquecer das coisas que tem de estar na bolsa: moedas, livros, cadernos, xeroxes, canetinhas marca-texto, guarda-chuvas, casaco pra caso esfrie, escova de dentes, desodorante, coisa pro cabelo, óculos de sol, óculos de grau, colírios, remédio pra dor de cabeça, aparelho pra ouvir música, guia-T, passaporte, celular, chaves, senhas, cartões, papel da residência, algum dinheiro, bloquinho, canetinha, carregador do celular, carregador do aparelho de ouvir música, band-aid e computador. pega o ônibus e vai, oitoemeiadamanhã em pé, tenta estudar. chega no trabalho depois de caminhar umas quadras, sempre atrasada, e trabalha umas nove horas. se diverte. trabalha. come doces da máquina de doces. trabalha. aprende coisas novas. tem idéias. conversa. trabalha. come doces da máquina de doces. bebe café com leite. vai pro jardim. trabalha. vai no banheiro. bebe água. trabalha. seis e meia da tarde se organiza e vai pra aula. caminha umas quadras e pega o 107, vazio, motorista louco que chega no destino em menos de 20 minutos. ciudad universitária semi-cheia: sobe, come um sanduíche de pão árabe com queijo e toma o maior café que o dono do bar puder servir. aí vai pra aula, 40 pessoas que leram os textos discutem os assuntos em espanhol, e a alma-viva não quer mais, quer desligar e dormir e dormir, mas aí acha intessante e resolve discutir. se sente estúpida porque cada dia que passa aprende mais sobre como fazer a roda do capitalismo girar e girar. aí pensa na família, no sobrinho que já gatinha, na sobrinha que já foi pra quinta série, nos irmãos, nos pais. lembra do aluguel e lembra que lhe devem dinheiro. lembra que deve trabalhos pra clientes queridos. volta pra aula, do que falam mesmo? ah, falam sobre o saber interpretativo e o saber produtivo. encosta a cabeça no ombro do colega. ganha uma mini-massagem na nuca. geme. no recreio come um alfajor e bebe outro café dos grandes. abraça os colegas. diz que tá cansada. nega festinha. nega cerveja. nega planos pro final de semana. volta pra aula. volta pro conjunto organizado de ideias que se referem a alguma coisa que tenta explicar algum fenômeno. volta pra teoria e o caos do mundo pesa. só mais duas horas e já pode ir pra casa. plim! termina a aula, discute alguma coisa com algum colega. reclama que não conseguiu ler os textos e discorda de alguma coisa que disse a arquiteta professora doutora zunzunegui. onze e meia desce pelo elevador gigante com uns 14 colegas e caminham juntos até o 160. meia-noite sobem no 160 e viajam apenas 40 minutos 🙂 Caminha apenas 7 quadras das grandes até chegar em casa. aí chega e tira os sapatos. lava as mãos. come um sanduíche, toma um copo de leite e um banho. o pijama desce pelo corpo quase naturalmente. o corpo se arrasta pra cama uma e meia da manhã e deita, mas não consegue dormir.

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milagres da última semana

estou sem computador e sem internetsy para fins laborais, dependo do quiridume alheio pra cumprir prazos de clientes que querem a minha cabeça exposta na saldanha marinho. mas eu prometo a todos eles que isso tudo vai terminar já!

– consegui um apartamento que tem, inclusive, liquidificador. a sala tem estruturas gregas e no meu quarto do primeiro mês vai ter uma cama super king plus size e, pasmem: per-si-a-nas!
– o meu colega mark, dono das redes de cinema cinemark, narcotraficante colombiano e desenhador gráfico nas horas vagas, vai trazer meu computador-bebê-mac-arredondadinho na segunda!! =D
– ganhei um aumento no trabaio! \o/
voyla, fechar as malas porque amanhã me encosto em novos travesseiros 🙂
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Domingo

Somamos 17 garrafas de vinho entre um domingo e outro e um (dois) punhado de momentos bonitos. As pessoas são incríveis. Soube da cor dos olhos. Acho que exagerei. É que eu só precisava me jogar em uma causa – e ganhar. Agora deu, não tem mais graça. Era aquela coisa de voltar a insitir sem fé nenhuma, lembra? Então, se rolar o cineminha na quarta, rolou. Voltei a olhar pra dentro. Beijos,

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Sábado

Acabou.
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Quinta

Parte 1

Deseperada. Ele me deixou desesperada. As mãos geladas e uma tremedeira imensa. O céu enjoado de tão azul. Taquicardia. O dia mais bonito do mundo.
Parte 2
As mãos dadas e o nada.

Parte 3

Fuera de mí, en el espacio, errante,
la música doliente de un vals;
en mí, profundamente en mi ser,
la música doliente de tu cuerpo;
y en todo, viviendo el instante de todas las cosas,
la música de la noche iluminada.
El ritmo de tu cuerpo en mi cuerpo…
El giro suave del vals lejano, indeciso…
Mis ojos bebiendo tus ojos, tu rostro.
Y el deseo de llorar que viene de todas las cosas.

(Vinicius de Moraes)
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Quarta

Aconteceu que quando olhava para dentro de mim fui interrompida.

Ele estava assustado: um adulto frágil e assustado. Sentou-se aos meus pés. Tentei voltar-me outra vez mas foi impossível: seu corpo de homem adulto e assustado disposto a arrancar minha indiferença, seus olhos que ainda não sei definir a cor – e talvez nunca precise definir – dispostos a arrancar minha segurança. Sim! Ao final gritei que só queria que me levassem pela mão, aonde fosse, que já não me importava nada, que éramos ridículos e que ele era o mais ridículo de todos. Respiramos. Eu, pelo menos, respirei. Tenho consciência de que tudo isso que estamos vivendo deixará de existir em breve. Talvez tenha deixado de existir neste exato momento: sentado os meus pés com os olhos cuja cor não sei definir disse que sabia mentir. De aí parou-se e, pela primeira vez, me abraçou. Não pude sentir seu cheiro nem dizer que neste momento era absolutamente evidente que minha vida dependia unicamente dele. Lembrei de abandonar qualquer pergunta e me ocorreu uma intenção de adiar o silêncio. Eu gritaria, gritaria que era um martírio e que não era justo, que não podia, que não devíamos depender unicamente de outra pessoa para viver mas que naquele exato momento era tudo o que eu queria e era tudo o que eu precisava e sabia que ele também precisava imediatamente disso e que embora fossemos profundamente desconhecidos nunca tinha podido ver com tamanha transparência no meio da escuridão.

Outra vez não sei como encontrá-lo. Poderei viver milhares de séculos sem saber. Mas observem vocês: eu não aspirava nada e uma coisa assim de preciosa alvoroçou minha vida inteira. Tudo igual entre nós. Estou convencida de que olhar para dentro de mim não será, outra vez, possível.
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Terça


Hoje não o vi. Soube dele, por aqui, por ali. Mas não o vi. O dia foi mais pesado, começou num cinza amarelado e terminou amarelo avermelhado. Meio fresquinho ainda, pesado. Esqueci o dinheiro em casa e tive de me alimentar com a máquina de doces: iogurte, bolacha e iogurte. Depois do trabalho comi carne. Depois de um bom tempo sem carne. Tanto tempo. Um mês? Me preocupa o fato de ter dez dias para sair deste apartamento e não estar encontrando um novo. Me preocupam outras coisas também. Se ele estivesse aqui, certamente eu estaria rindo e tudo seria mais leve. Estaríamos rindo de qualquer realidade inventada. Mas ele não está e eu não sei onde encontrá-lo. Deveria estar angustiada. Estranho é que não estou. Não tenho o controle da situação e estou tranquila 🙂

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Segunda

Ando com uma felicidade quase insuportável: sem teto, sem grana e sem tempo. Exagerada a minha felicidade. Neste exato momento sou capaz de esquecer tudo para tomar mais um copo de vinho e ouvir essas coisas que ele diz e eu não entendo, mas são tão bonitas.

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Domingo

fiquei com uma vontade enorme de te convidar para passear, andar nas bicicletas para duas pessoas e dividir um copo de suco com dois canudos. ou de deitar na sacada e conversar sobre qualquer coisa despretenciosa, de não te saber inteiro, de não me revelar, de conversar sobre as velhinhas que passam com seus penteados curiosos. só queria passar mais tempo contigo, de não te perder, de não deixar um intervalo muito grande. mas sem compromisso nenhum, tipassim:brincar de sério e pedra-papel-tesoura. qualquer coisa para apenas te ter por perto. mas fiquei com vergonha.