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Ervilhas

A questão é que ela nunca soube exatamente o que queria, nunca soube muito bem como é que as pessoas podiam decidir pelo caminho da direita sem conhecer o da esquerda. Acha que decidir é desperdiçar oportunidades. Quando entrou no ônibus foi logo para o fundo, assim não teria de ceder o lugar às velhotas emperiquitadas. Uma vez, indo pra universidade, ela viu uma velha cair. Teme envelhecer e não ter dinheiro para pagar o enfermeiro, o motorista e o médico domiciliar. Sabe que não vai precisar de tanto apoio, já que será uma velhota sexy- safada-e-esperta. Na família dela ninguém tem alzheimer. Morre de medo de alzheimer. Acha que é um desperdício de vida. Prefere morrer. Mas preferir é escolher e o próximo passo depois de escolher é decidir. E decidir, finalmente, é desperdiçar oportunidades. Nesse caso, seria desperdiçar vida. Mas que merda de vida é uma vida sem lembranças? Acha que as pessoas são infelizes porque a comodidade do caminho escolhido conduz à frustração. A melhor época foi a da universidade, quando aquela montanha de oportunidades cintilavam e se exibiam nos murais do corredor feliz. O desespero por um caminho seguro e mapeado nos conduz à mediocridade. Foi incrível quando se deu conta disso. Sentiu uma enorme tristeza, sentada sobre os próprios pés, com os olhos inchados e vazia de tudo. O amor é fundamental, mas a busca desesperada pela felicidade idiotiza o mundo. Tem dó. Perdoa. Decide desprezar as ilusões e seguir o caminho das setas.

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malígno gênio enganador

ele a evoca em pequenas pinceladas, pois em seus sonhos ela é do tempo das qualidades sensíveis que detém o que ele quer segurar – como seguramos o copo de cerveja depois da terceira garrafa – por muito mais tempo que uma história. um tempo que ele encerrou naquele lugar que ocupa todo o intervalo a frente do seu presente, acima do seu passado, com suas flores perfumadas e árvores carregadas de frutos.

até quando? – perguntamo-lhe nos, os desacreditados, os mutilados, os escalavrados e abandodados do amor.
até que me permita sonhar. – responde ele, tão rude, tão sério, tão ingênuo e tão fiel, baixando levemente o rosto e olhando para trás do próprio ombro direito, retomando o pincel, farto de nossas presenças.

no entanto, pressente-se o risco – um concluio, uma trapalhada – e compreende-se a prudência de Freud.
Me voy, buena suerte y hasta luego.

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atualização

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