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balada forte

no hospital ontem. chegamos a 9.75 na escala da menor dor, que é 1, pra maior dor, que é 10. até chorei e pensei que fosse desmaiar. mas não. as amigas estavam lá e as pessoas da clínica são tão, mas tão queridas, que mais parecem as amigas da sua mãe quando você tem 8 anos de idade. mas tá, suero no braço por umas duas horas e soninho na casa das gurias pra recuperar as doses de endorfina que estavam circulando na corrente sanguínea. sonhei com o herói do toy story e com um monte de colombianos-adolescentes-maus. sonhei com meu sobrinho de 4 meses tinha uma arma na mão pra me defender. que a gente corria dos colombianos e ajudava o toy story e vencer a guerra que havia sido instaurada no palácio da livraria da mente, lá na tuiuti, em santa maria. sonhei que eu ficava nua e viajava em elevadores baleados, uns apenas para macas. que deixava o sobrinho com alguns refugiados pra conseguir encontrar mais armas. sonhava que a cama quebrava. por alguns minutos acordei e pensei que estava em santa maria. a dor me fez descer o travesseiro pra altura dos rins, querendo que dormissem um pouco. esperando que amanhecesse de uma vez. precisando organizar a vida.

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la piedrita

Pior que cálculo renal, é cálculo renal fora da área de cobertura do seu plano de saúde. E pior que a dor do cálculo, é o sofrimento de já conhecer tudo o que você vai ter de enfrentar nos próximos dias se ele realmente estiver habitando o seu rim direito. O seu riñon derecho, no caso.

Da primeira vez me fizeram agonizar aproximadamente 3 horas até receber aquele soro maravilhoso puri morfina. Pensaram que tinha bebê. Ninguém me acreditava. Uma guria sozinha com cólicas fortes, menstruação irregular e com idade sexualmente operante. Esperei e viram que não tinha bebê nenhum. Achei chato o leito do hospital. Mas tinha um enfermeiro bonitinho.

Da segunda vez não consegui bancar a machona e ir sozinha, cheguei chorando no trabalho da mãe, que me pos num taxi e obrigou-lhos (no hospital) a me darem a injeção mágica em menos de meia hora!

Da terceira vez que é agora, acordei com aquela dor. Falei pra amiga. Podia ser uma puta de uma cólica menstrual, né? Me ataquei, doeu, chorei. Me embolotei e dormi. Acordei. A dor. Sim, vamos ao hospital na argentina. Aí uma amiga liga pro seguro de vida. Que me liga. Que pergunta meu CEP e uma porção de coisas pessoais. Desligam. Me encolho no travesseiro. Ligam de novo. Tudo certo: Sanatório Mater Dei. Me dão o endereço. As amigas vem e me acompanham. Bem bonito o hospital. Santiago o nome do médico. Uma graça de Santiago. Me explicou tudo, falamos de futebol, olimpíadas, pedras nos rins, casamentos, meu-sotaque-de-americana-alemã-nada-brasileira, apertou minha barriga, escutou minhas costas, ensinou a fazer xixi no potinho, acompanhou ao banheiro, mimimi. E depois pediu meu telefone. Pra avisar sobre o exame. Dez da noite liga perguntando se posso ir pra clinica fazer outro exame pois encontraram caca no meu xixi. Aí me fiz de difícil, porque tava vendo filme com as amigas e chapada de remedinhos. Amanhã vou lá. Depois conto.

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o tipo mala onda

eh o cara com quem as gurias dividem apartamento. quem sabe se eu fosse uma colombiana de 38kg ele nao se importasse em me deixar ficar uns dias pela casa. acontece que ele nem sabe meu nome, mal me cumprimentou e cobra a minha data de saida. nao estou aqui porque nao tenho dinheiro para estar em outro lugar, e sim porque estava buscando apartamento e me parecia logico ficar junto das minhas amigas queridas que morro de saudade e quero apertar um montao. mas enfim, amanha vou lah me juntar aos seis gatos. esta eh a semana de la dulzura aqui em buenos aires (todos trocam doces por beijos). ele vai ganhar uma barra de 500g de chocolate meio-amargo.