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last time


Chorando, retiraram seus corações como quem retira pérolas de ostras, observaram as manchas, pensaram em polir e recolocar, não fizeram. Apenas retiraram seus corações do peito tão cuidadosos como quem retira pérolas de ostras e deixaram expostos sobre as cinzas dos cigarros recém fumados. Então dormiram tão abraçados como se fossem apenas um. Ou tentaram.

Pela manhã, os corações estavam secos.

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de julho pra cá

formatando o celular, a gente encontra fotos de momentos importantes. lá se vai doismilenove, o ano que mais me mudou – literalmente. rs

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parques

sim, os parques aqui são bem maiores do que o da província. também têm mais crianças. mais famílias. mais namorados. mais pessoas sozinhas. pessoas com seus livros. pessoas com seus patins. têm mais árvores. mais lagos. mais patos. mais rosas. mais céus. os parques daqui têm mais caminhos. mais encontros. mais tombos. têm trens! nos parques daqui as mulheres deitam com biquinis, pensando que estão no verão e na praia – quando ainda é agosto e a noite promete tormenta. aqui vendem pipoca, maçã do amor e carrapinhas. vendem cata-ventos e balões de hélio. um deles têm até zoológico. não teria do que reclamar. não existe maneira de comparar os parques daqui com o parque da província. a diferença não está no que neles eu posso ver. acho que a diferença toda está nos silêncios que ficam entre as pessoas com quem sento a tomar mates aqui, e com as quem sento a tomar mates lá.

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lembrança

é porque ele foi o único que dormiu sorrindo. eu acordava, o braço dele envolvido em mim. a mão esquerda adormecida nos meus cabelos. um sorriso bonito. uma vida inteira. eu acordava e ele sorrindo feito esses anjos que a gente nunca viu mas sempre falam que dormem leves e puros e limpos e lindos e zaz. eu até pensei em tirar uma foto, mas pra isso teria que me desprender do carinho. eu não queria.

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entender é um outro nível de ignorância

jamais sobreviveríamos à liberdade de leves e inconsequentes ações.
atrás de sutilezas que não podem ser descritas.

estamos no mundo ao mesmo tempo.
você respira, tosse, respira, dorme, espirra e eu não posse deixar de sentir.
Ora!, foge do meu controle.
não posso fazer nada, não há solução.

minha depressão é como os acordes de um piano, tecla por tecla, branca e preta, uma alma angustiada. me traz ao corpo tules de roxo escuro e à cabeça tiara de tristes pedras. rega minhas flores com sândalo da índia, enche a minha bolsa de moedas sem valor, cobre minhas pernas com meias de arrastão. e desta forma, feito dama exagerada, esconde o meu rosto, máscara de um baile à fantasia.

entretanto
belos e eternos: nada.
Belos e eternos nada.

e quase não sou mulher o suficiente pra tanto Isso.
f.y.

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Feliz Primavera

Há exatamente um ano acordei em Buenos Aires e a casa estava cheia de flores. Todo mundo se abraçava e desejava “Feliz Primavera”. A Lilly pendurou jasmins nas paredes da sala, o Fede andava se fresqueando com uma coroa de mato e alguém roubou um cartaz de quitandeiro, com flores de PVA. Nessa época ainda estavam o Ricky e o Papito, provavelmente tenhamos encerrado o inverno com vinitos y papas fritas! hehehe…

Bem que por aqui as coisas podiam ser assim, embora eu preferisse estar desejando um “Feliz Outono”… O período dos pólens deixa o meu nariz deformado.