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Texto para terminar relacionamentos intensos, errados, instantâneos, emos, cruéis, sem sentimento e sexuados.

Sabe a sensação de tirar um sapato que te fez uma bolha imensa, uma bolha de soro, suor e sangue? Sabe a sensação de quando a gente tira esse sapato e arranca a pele sensível da bolha, fazendo com que soro, suor e sangue escorram pelo calcanhar? Arde, né? Mas mamãe já dizia: tudo o que arde cura.
Tu eras o sapato. O soro, o suor e o sangue – que acabaram de escorrer pelo calcanhar – eram minha única reserva de amor. So... (yeah, in English!) a fina pele que nos separava não pode suportar tanto enrosco.
Band-aid, hasta luego!
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pra ter o que falar

Os oito últimos dias foram um verdadeiro caos. Talvez os 12 últimos dias. Melhor, os 42 últimos dias tinham sido uma tormenta absurda. Mas, principalmente os últimos oito. Coitada dela, até ajeitar um canto que agora chama de dela e depois ficar no tal canto medindo as paredes com os olhos e apertando os suspiros pra não desmoronar ali, sozinha. É o canto mais colorido que ela poderia imaginar. A cara dela. Até o ato de colocar o papel higiênico no suporte com bolas verdes parecia um ritual de desapego. Depois fazer o chá verde na caneca de espirais laranjas. Depois colocar um disco de jazz e fumar um cigarro de cravo na sacada, olhando o nada e esperando qualquer vento que a tocasse. Nada. Pensou em jogar os cactos do sexto andar, só pra causar dano, pobre dos cactos. Vestiu todas as roupas da arara fazendo combinações divertidas. Leu três revistas com as pernas pro ar. Viu seis filmes. Comeu duas barras de chocolate e duas bacias de pipoca. Chorou. Andou pela calçada de saia e sandálias, carregando livros pra ver se alguém batia, derrubava e ela pelo menos podia dizer “não foi nada”. Depois escreveu alguns roteiros. Fez algum trabalho. Tomou alguns cafés. Depois veio a segunda e a maldita terça. Esfriou muito e ela finalmente pode usar os cachecóis e os lenços coloridos. Ela teve frio e febre, e descobriu que era metade do caminho pra alguma coisa importante. Tudo bem, ela nem se achava grande coisa mesmo. Depois de saber que era metade do caminho e de contarem pra ela que ela era importante e querida ela desmoronou. Desmoronou porque tudo acontecia com ela, coitada. Tudo bem que não estava em paz com ninguém, porque não tinha/tem ninguém. Nem com ela mesma estava em paz, mas queria e gostava de pensar que sim, que estava. Mas não estava, facto. Ela não entende de ser valente, até pensava que entendia, mas cansou de pensar e decidiu virar covarde. Não dá?! Ok. Anda fraca, a pobre. Não quer mais insistir sem fé. Não quer mais dar a cara a tapa. Acha que incorporou o egoísmo. Acha.


Sabe o que aconteceu com ela, daí?
Depois daquele que foi o segundo pior dia da sua vida, passou no supermercado, pensando encontrar algum entendedor de vinhos que a ajudasse a escolher. Não encontrou o entendedor, mas encontrou uma porção de vinhos. Comprou um. Um chocolate. Um cigarro de cravo. Uns panos amarelos de copa. Uma taça. Até pensou em comprar duas, mas, pra que?! Comprou uma, voltou pra casa tilintando de frio pelas calçadas vazias e fez um brinde à sua mais sincera companhia: ela.