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tchurum

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avec elegance

putes de luxe. call me.

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ato de desespero

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apresento-lhos: leonardo

the nephew on 365project.org
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nasceu sexta passada e a tia desnaturada investiu todo o tempo livro babando. e o tempo que não era livre tentando salvar o mundo. cinquenta e dois centímetros e três quilos e meio. bochechudo, tranquilo e lindo.

🙂

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atualização

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amenidade

arriscar-me por trilhas acidentadas? arrisco

tiro casca de ferida e deixo o sangue secar (fica aquela semi-bolinha, vinho-tintíssima) colorindo a pele rosa. quando vem outra, tiro de novo. escondo o sangue com papel só pra ver os círculos cor-de-vinho-tintíssimos invadindo dobra sobre dobra, a mancha esmaecendo, virando nada. a ferida seca entre ele – o papel – e a pele rosa, gruda, às vezes arde. quando cai o papel, nasce outra casca. a ferida vai ficando profunda. nunca sei se pela sobreposição de celulose ou distração. às vezes coça.

uma ferida nova eleva a anterior à cicatriz. quanto mais profunda a ferida, mais tempo pra criar casca. e nessa ordem, maior o cuidado no momento de amputá-la.

arriscar-me por trilhas já acidentadas? arrisco
quem dera o horizonte fosse uma linha clara.

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Meu Primeiro Cortejo

Por volta das quatro da manhã, o motorista simpático do táxi executivo, tentando puxar assunto, pergunta: “Bah, tu viu que tragédia com aquele jornalista do Diário?”.

Eu, tentando descolar a cabeça do vidro traseiro, respondo: “Vi, estou voltando do churrasco de despedida dele”. Silêncio.

E foi-se. Talvez o dia mais triste da minha vida. Não tenho certeza. Sei que foi o meu primeiro cortejo. Minha primeira vez de querer acreditar que o mundo não termina com a morte. É muito injusto.

Um pouco menor que o número de amigos aplaudindo depois do último tijolo cimentado (com direito à percussão de pranto) era o número de viúvas. Chegou a ser engraçado. Mãe, pelo menos, só eu (eu – nossa senhora). Prenda, só a Fran. E dessas discussões sobre quem tinha mais importância pro moço, a gente riu e conseguiu “desestufar” o peito com brindes, fumaças e música tradicionalista – que nunca foi meu chão, mas ta, uma noite a gente agüenta.

Pensei que iria dormir o dia inteiro hoje, mas as gaitas, aplausos e poesias violaram a tentativa de sonho que armazenei no travesseiro. Azar. Levantar e trabalhar. Ser o mais legal possível com as pessoas. Pisar firme e sentir o tempo. Deixar acontecer sem esperar que seja magnífico. Simples assim a vida tem que seguir.

Não vou mais falar disso aqui no tramela. Fim.



Notas mentais: conhecer a minha alma, mandá-la a encontrar a dele e cagar de pau.

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ai [suspiro doído]

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menino de alma leve, voando sobre o pelego

“encontraram o corpo”. mas eu não quero o corpo. eu quero ele fazendo xixi no portão da minha casa. quero no sábado de manhã vindo buscar os engradados vazios para trocar por cheios e a gente ir acampar. quero ele no sábado de noite, com chuva, pra tomar o vinho de colônia ruim quase virado em vinagre cada vez que eu perdesse no pife. quero ele acendendo cigarro no DCE, me ensinando a focar e desfocar a câmera na feira do livro de 2004. quero ele me chamando de mãe e esfregando o nariz na minha testa. quero ver os braços abertos. o sorriso debochado. a atenção com meus dramas de ir e vir. quero ele no meu primeiro xis em uma das voltas pra santa maria. não quero mais as assinaturas guardadas nos rótulos de cerveja, eu quero outra vez as cervejas e os brindes com TODOS os amigos juntos. eu não quero um corpo afogado. eu não aceito uma morte besta. eu não quero dar tchau pra alguém que eu quero encontrar no ponto de cinema numa terça de noite, emocionado com os gols do inter, gritando e gesticulando e limpando os óculos na camisa. eu quero tomar chimarrão no rio de janeiro vestindo bombachas. eu quero que o telefone toque me perguantando qual é a boa. eu quero que o msn pisque debochando da minha cara. quero saber as notícias antes. quero ver outra vez o documentário. eu quero brigar com ele porque faz a minha amiga sofrer. eu quero chamar ele de sem-vergonha. quero dar os cascudos de brincadeira. quero que ele me ensine como pintar as paredes com tinta acrílica. quero que me ensine a montar a ilha de edição. quero que ele peça as pizzas e dirija o carro. quero que mande uma mensagem dizendo que outra vez perdeu o celular e troucou de número. quero abrir o jornal e ler as matérias assinadas por ele. quero que meu pai diga: um amigo teu caiu numa valeta em uma cavalgada que a gente acompanhou de caminhão. eu quero rir disso e guardar a foto do jornal com aquela risada disfarçada. eu quero que me peça a bênção. eu quero dizer a ele que faça o milagre da multiplicação do feriado. quero dizer pra ele que a música que ele escolheu pra formatura era horrível. quero que ele deboche da minha lista de chá de panela. quero que ele vá nos meus aniversários. quero o abraço apertado e o “como que tá, guria?”, seguido do “mãe, tu não pode sumir assim”. tu é que não pode sumir assim. não pode. não gosto. não quero.

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resposta

quando da primeira noite, ele mostrou seus filmes, ela deu graças a deus! eram bons. gostavam de se deitar emaranhados. quando ele não aceitou que fizessem planos e se disse em paz com a separação, ela soube que seria coisa de vida inteira, ainda que no vazio. quando se encontraram pela primeira vez, ela não teve medo, nem se percebeu encantada. gostava de acariciar o braço dele. as coisas ficaram penduradas no quarto dele, junto aos livros. achou que ele estava sofrendo. durante um bom tempo ela ficou deitada, talvez meses, os olhos teimando em só enxergar lembranças. no apartamento dele não havia espaço para a vasilha do cachorro. soube-o dançando em noite de alegria. queria que ela dormisse lá com ele. às vezes ela não conseguia. tinha uma casa e um sonho. entre débeis tentativas de esquecimento, queria tê-lo entre suas pernas. ele vivia entre o dever e a culpa. essa era a visão dela. ele propunha que se tornassem amigos. ela ainda pesava 41 quilos. aprendeu a forçar o ar para dentro de seus pulmões.