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Domingo

fiquei com uma vontade enorme de te convidar para passear, andar nas bicicletas para duas pessoas e dividir um copo de suco com dois canudos. ou de deitar na sacada e conversar sobre qualquer coisa despretenciosa, de não te saber inteiro, de não me revelar, de conversar sobre as velhinhas que passam com seus penteados curiosos. só queria passar mais tempo contigo, de não te perder, de não deixar um intervalo muito grande. mas sem compromisso nenhum, tipassim:brincar de sério e pedra-papel-tesoura. qualquer coisa para apenas te ter por perto. mas fiquei com vergonha.

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10-08-1985

todos os meus pedaços aqui. e você não me conhece, eu não conheço você. te escrevo por absoluta necessidade, não conseguiria dormir se não te escrevesse. não há nenhum subtexto nisto que te escrevo. não acho bonito que a gente se disperse assim, só isso. encontre, desencontre e nada mais, nunca mais, é urbano demais. não sei se a gente pode continuar amigo. não sei se em algum momento cheguei a ver você como Outra Pessoa, ou, o tempo todo, como Uma Possibilidade de Resolver Minha Carência. estou tentando ser honesta e limpa. uma possibilidade que eu precisava devotar ou destruir. porque até hoje não consegui conquistar uma disciplina, essa macrobiótica dos sentimentos, essa frugalidade de emoções. fico tomada de paixão. há tempos não ficava. e toda essa peste, meu amigo.

vim pegar energia. eu podia dizer que tínhamos bebido demais. mas de tudo isso me ficaram coisas tão boas. uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim. estou te querendo muito bem neste minuto. tinha vontade que você estivesse aqui e eu pudesse te mostrar muitas coisas, grandes, pequenas, sem nenhuma importância, algumas.
fique feliz, fique bem feliz, fique bem claro, queira ser feliz. você é muito lindo e eu tento te enviar minha melhor vibração de axé. mesmo que a gente se perca, não importa. que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. mas que seja bom o que vier, pra você e pra mim.
com cuidado, com carinho grande, te abraço forte e te beijo.
ps: te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis. e amanhã tem sol.
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☂ macumbada

é isso. há mais de dois meses estou doente. desde sei lá, abril, não posso beber sem culpa. cada gole de cerveja é comparado a uma colher de gordura-super-saturada que desce pela goela e tranca no intestino. mas a doença mesmo começou com uma gripe fenomenal na primeira semana de férias. teve seguimento logo que cheguei em Buenos Aires e tive, pelo menos, três noites de tosse contínua (daquelas de não dormir e não deixar ninguém dormir). descartando todo o azar moderno que me ofendeu por lá, voltei sadia no meio da GripeA e pimba, dois dias em Santa Maria e uma gripe comum me atacou e pos na cama. tudo bem, tudo bom porque logo teria florianópolis e bons amigos. e tive, foi bacana participar daquela festa – de conhecer a bile de perto, dançar na boquinha da garrafa e perder a dignidade – pra sabem o quê? ir parar na unimed com mega-infecção na garganta, outdoors brancos no sininho, ter de cuspir a saliva num copinho porque simplesmente não descia pelo lugar comum. ok, eu só estava em florianópolis, não devo ter perdido muito. ok. voltei pra santa maria tomando antibióticos, na primeira segunda livre dos medicamentos fui num show de blues e na sequência tomei um pouquinho de vinho branco, afinal, é phino e útil beber vinho neste fril. ok. noite feliz. hoje, duas da tarde uma dor estranha no ouvido. assim. de leve… e agora? a garganta sangrando. quando isso vai parar?

meldels, que chegue dia 5 de uma vez, que eu entre logo na casa onde vai renascer o amor e a phe na vida. dels, to de saco cheio.